Verde que cura

Verde que cura

Verde que cura
Verde que cura (Foto: Reprodução)

Verde que cura

 E ntenda como plantas e áreas verdes impactam saúde física, mental e produtividade de estudos ligam o contato com plantas e áreas verdes à redução de estresse, melhora do sono, queda da pressão arterial e aumento do foco. Para a bióloga e paisagista Luiza Burgos, espaços com paisagens vivas, onde natureza e arquitetura se integram, são terapêuticos. A expectativa pelos benefícios tem aumentado substancialmente a procura pelo verde. O que diz a ciência

Pesquisas apoiadas pela FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo constatam que montar um ambiente verde é terapêutico e já faz parte do mundo científico, ratificando o que a biologia aponta em seus estudos. Segundo Luiza, o contato com áreas verdes urbanas e a presença de vegetação trazem benefícios significativos para a saúde física e mental, além de melhorar a qualidade de vida nas cidades. “Estudos indicam que a natureza age como um redutor de estresse e melhora o bem-estar geral da população”, afirma. Principais benefícios do "verde": Saúde Mental e Relaxamento: Viver próximo a áreas verdes está diretamente ligado a menores níveis de estresse, ansiedade e depressão, com diminuição da produção de cortisol, o hormônio do estresse.Qualidade do ar e clima: A vegetação ajuda a filtrar poluentes e reduz o impacto do calor em regiões sem sombra.Verde dentro de casa

Luiza indica a prática para quem mora em apartamento: “É uma saída fantástica e uma forma de criar um condomínio interno de bem-estar, convidando os vizinhos para esta nova prática”. Ela alerta: “Procure um horto e peça indicações, pois existem plantas com toxinas prejudiciais à saúde e que não podem ser criadas dentro de casa”.Com experiência em montagem de ambientes, a especialista defende políticas públicas de arborização para diminuir problemas de saúde nas cidades.Experiência na prática

Para Marcos Antônio, morador da Praia do Flamengo, na orla de Salvador, e iniciante no cultivo, o resultado é rápido e prático: “Peguei uma área isolada da casa, tirei o revestimento, fui a um horto, peguei várias informações e hoje frequento o horto uma vez por mês. Sempre busco colocar mais verde. Além de me sentir muito bem, é um delicioso caminho sem volta”.Bairros verdes x bairros cinzas

A bióloga Luiza Burgos luta na Bahia para mudar o cenário de desigualdade entre bairros arborizados e bairros pouco verde. “O mundo hoje pede isso. Em alguns países já existem projetos de hortas urbanas e convênios com hortos municipais para diminuir o impacto do calor em regiões sem sombra”, destaca.Como paisagista, ela relata como ambientes com plantas transformam casas, apartamentos e comunidades. “Moradores se reúnem e subdividem tarefas para cuidar dos espaços. Depoimentos de condôminos mostram como o 'ato pró- verde' foi benéfico. Não tem idade: crianças, jovens e idosos já sentem a diferença na saúde”.O que dizem os especialistas

Hoje, a recomendação do verde já faz parte de várias áreas: psicólogos e psiquiatras indicam “banho de floresta” para redução de ansiedade; neurocientistas explicam como o cérebro reage ao verde; arquitetos e urbanistas falam sobre biofilia em projetos; engenheiros agrônomos destacam espécies para arborização urbana em Salvador e outras cidades.“Sou entusiasta de projetos de horta comunitária e telhado verde”, afirma Luiza.Neurociência comprova

Segundo a neurocientista Dra. Cati de Castro, a conexão fica clara: “A presença de plantas em ambientes domésticos e de trabalho, e a imersão em espaços verdes, como trilhas e jardins, têm impacto positivo significativo na saúde física e mental. Estudos comprovam a redução do cortisol, regulação da pressão arterial e aumento da imunidade, devido aos compostos liberados pelas plantas, como as fitocidas, que ativam o sistema parassimpático”.Esses benefícios se estendem ao tratamento de ansiedade, depressão, hipertensão e recuperação pós-cirúrgica, além de auxiliar na reação a traumas e ambientes tóxicos. “Gosto de pensar no paisagismo como uma forma de arquitetura viva, onde cada planta tem um papel na construção da paisagem. Trabalho inspirado pelo tropical, pela diversidade das espécies e pela potência da natureza brasileira”, finaliza Luiza Burgos.


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Marcos Antônio