DA BAHIA PARA MOÇAMBIQUE: RAFAELA AZEVEDO ATRAVESSA O ATLÂNTICO PARA TRANSFORMAR GASTRONOMIA EM PONTE DE ANCESTRALIDADE, CULTURA E FUTURO
DA BAHIA PARA MOÇAMBIQUE: RAFAELA AZEVEDO ATRAVESSA O ATLÂNTICO PARA TRANSFORMAR GASTRONOMIA EM PONTE DE ANCESTRALIDADE, CULTURA E FUTURO

Chef, pesquisadora e empreendedora cultural baiana leva sabores, memórias e saberes afro-diaspóricos para uma missão internacional que aproxima Brasil e África por meio da gastronomia, da arte e da economia criativa
A chef, pesquisadora e empreendedora cultural baiana Rafaela Azevedo levou a gastronomia da Bahia para Maputo, Moçambique, em uma missão internacional dedicada ao intercâmbio cultural, à economia criativa e à valorização dos saberes afro-diaspóricos.

Fundadora da Flor de Feijão – Culinária Vegetal e idealizadora do projeto Jazz de Panela – Arte, Gastronomia e Bem Viver para Mulheres Negras e Afro-Indígenas, Rafaela integrou a programação oficial do MICMZ – Mercado das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique, participando de uma agenda que reuniu gastronomia, formação, arte, encontros institucionais e experiências de intercâmbio cultural.

A missão incluiu workshops, palestras, entrevistas, visitas a espaços culturais, experiências gastronômicas e encontros com profissionais e instituições moçambicanas, ampliando as possibilidades de diálogo e cooperação entre Brasil e Moçambique. A chef também integrou a Comitiva Flotar, formada por profissionais brasileiros envolvidos na circulação e no fortalecimento das relações culturais e criativas entre os dois países.

Para Rafaela, estar em Moçambique representou mais do que uma experiência profissional: foi também um reencontro com territórios, sabores e saberes que atravessaram o Atlântico e ajudaram a formar a cultura alimentar brasileira.

“Estar em Moçambique é compreender que a gastronomia é muito mais do que alimento. Ela preserva memórias, fortalece identidades e cria pontes entre povos que compartilham histórias e ancestralidades. Estar aqui, representando a Bahia, é também reconhecer a força dos conhecimentos que chegaram ao Brasil e foram recriados pelas mãos de tantas mulheres negras e indígenas.”

🍲 Gastronomia como ferramenta de intercâmbio
A trajetória de Rafaela Azevedo está diretamente ligada à compreensão da alimentação como prática cultural, política e comunitária. À frente da Flor de Feijão, empreendimento dedicado à culinária vegetal, a chef desenvolve experiências que articulam alimentação, ancestralidade, sustentabilidade, educação e valorização dos territórios.

Essa perspectiva também orienta o Jazz de Panela, projeto que propõe uma experiência em que comida, música e arte se encontram para criar espaços de memória, formação e convivência.

Em Moçambique, a iniciativa ganhou uma dimensão internacional ao promover o encontro entre referências da culinária afro-brasileira e o público moçambicano. A programação contou com experiências gastronômicas, intervenções artísticas e momentos de diálogo sobre cultura alimentar, ancestralidade e as conexões históricas entre Brasil e África.

Mais do que apresentar pratos, a proposta foi criar uma experiência de troca.
“A gente não foi para Moçambique apenas para levar comida brasileira. Fomos para encontrar, escutar, aprender e reconhecer aquilo que também existe em nós. A comida foi o ponto de partida para uma conversa muito maior sobre memória, território, identidade e futuro.”, afirma Rafaela.
🌍 Bahia, Moçambique e a construção de novas pontes
A participação no MICMZ amplia a circulação da produção cultural baiana no cenário internacional e evidencia o potencial da gastronomia como linguagem de diálogo entre diferentes territórios.
Ao atravessar o Atlântico, Rafaela leva consigo uma gastronomia construída a partir da memória e da reinvenção dos povos negros e indígenas no Brasil, ao mesmo tempo em que reconhece que esse patrimônio continua vivo e em transformação nos territórios africanos.

A experiência reforça ainda o papel da economia criativa como instrumento de desenvolvimento, geração de oportunidades e fortalecimento das identidades culturais, especialmente para mulheres negras que constroem seus próprios caminhos por meio do empreendedorismo e da cultura.
Para Rafaela, retornar à África através da gastronomia é também olhar para trás para construir o futuro — em diálogo com o princípio de Sankofa, que atravessa sua trajetória e a identidade da Flor de Feijão.
“Levar a gastronomia para Moçambique foi, para mim, uma forma de voltar às raízes sem deixar de olhar para o futuro. A ancestralidade não é algo parado no passado. Ela é uma tecnologia de existência, de criação e de futuro.”
A missão internacional marca um novo capítulo na trajetória de Rafaela Azevedo e do Jazz de Panela, fortalecendo conexões entre Bahia e Moçambique e reafirmando a gastronomia como território de memória, criação, afeto, intercâmbio e transformação social.
Sobre o Jazz de Panela
Jazz de Panela – Arte, Gastronomia e Bem Viver para Mulheres Negras e Afro-Indígenas é um projeto cultural idealizado pela chef Rafaela Azevedo que articula gastronomia ancestral, música, poesia, formação e intercâmbio cultural.
A proposta parte da compreensão de que comida também é cultura, memória, identidade e linguagem. Por meio de experiências gastronômicas e artísticas, o projeto cria espaços de encontro e valorização dos saberes afro-brasileiros, aproximando diferentes territórios por meio da comida e da arte.
Em sua primeira experiência internacional, o Jazz de Panela chegou a Moçambique para fortalecer as conexões históricas e culturais entre Brasil e África e construir, através da gastronomia, novas possibilidades de diálogo, cooperação e bem viver.
Por Papo de Artista Bahia & Tvbahia3 – A Voz da Cultura e Fiscal do Povo
Por: Nilson Carvalho.
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"Porque a cultura não tem fronteiras. Onde houver um patrimônio que conte a história de um povo, o Grupo de Comunicação Papo de Artista Bahia, TVBahia3 e a Academia de Letras e Artes de Camaçari (ALAC) estarão presentes, mostrando ao mundo que preservar a memória é construir o futuro."