A COLUNISTA - 👁️ DOAR CÓRNEAS É DEVOLVER A ESPERANÇA DE ENXERGAR
A COLUNISTA - 👁️ DOAR CÓRNEAS É DEVOLVER A ESPERANÇA DE ENXERGAR

Entenda como funciona a doação e o transplante de córneas pelo SUS, desde a autorização da família até a cirurgia, o tratamento e a recuperação do paciente
A córnea é uma das estruturas mais importantes para a visão. Quando perde sua transparência, sofre deformações ou apresenta uma lesão grave, o transplante pode representar uma nova possibilidade para quem enfrenta uma importante perda visual. No Brasil, esse processo é coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e pode ser realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
👁️ O QUE É A CÓRNEA?
A córnea é a camada transparente localizada na parte anterior do olho. Ela ajuda a focalizar a luz e é essencial para a visão. Quando fica opaca ou muito deformada, a pessoa pode perder parte importante da capacidade visual.
A doação de córneas é feita, em geral, após a morte do doador.
As córneas são tecidos e não órgãos. Por isso, o processo apresenta regras próprias.
O SNT coordena, regulamenta e acompanha a doação e os transplantes no Brasil.
🎯 OBJETIVO
Descrever, com linguagem simples, o processo de doação e transplante de córneas no SUS e explicar como ocorre o tratamento e a recuperação do paciente.
🔄 DOAÇÃO E TRANSPLANTE: UM PROCESSO EM ETAPAS
O processo ocorre em etapas sucessivas. A córnea doada passa por procedimentos específicos até chegar ao paciente que necessita do transplante.
IDENTIFICAÇÃO
A equipe de saúde identifica um possível doador após a morte.
AUTORIZAÇÃO
A família é informada e deve autorizar a doação. Por isso, é importante comunicar esse desejo aos familiares em vida.
RETIRADA
Uma equipe treinada retira as córneas com cuidado e respeito. O procedimento não impede a preparação do corpo para o funeral.
AVALIAÇÃO
O banco de olhos verifica a qualidade do tecido e realiza testes de segurança.
CONSERVAÇÃO
A córnea é colocada em meio próprio e mantida em condições controladas até a distribuição.
LISTA DE ESPERA
O paciente é avaliado por equipe autorizada e inscrito no SNT quando há indicação de transplante.
DISTRIBUIÇÃO
A córnea é destinada ao paciente conforme as regras da lista, com prioridade para situações previstas em norma.
CIRURGIA
O cirurgião substitui a parte doente da córnea pelo tecido doador.
ACOMPANHAMENTO
O paciente usa os medicamentos prescritos e retorna ao serviço para avaliação e retirada gradual de pontos, quando indicada.
🏥 QUEM PODE FAZER O TRANSPLANTE PELO SUS?
O transplante é indicado quando a doença da córnea causa perda visual importante e os tratamentos disponíveis não são suficientes.
A decisão cabe à equipe oftalmológica, após exame clínico e exames complementares.
O paciente deve ser encaminhado a um serviço autorizado. Se a indicação for confirmada, a equipe providencia a inscrição na lista nacional de transplantes.
A posição considera, entre outros fatores, a ordem de inscrição, a urgência, a gravidade e a compatibilidade com o tecido disponível.
O serviço é gratuito para o cidadão.
🔬 COMO É FEITA A CIRURGIA?
O transplante pode substituir toda a espessura da córnea ou somente a camada que está doente. A técnica depende do diagnóstico e da avaliação do cirurgião.
O procedimento é realizado em hospital ou unidade autorizada, com anestesia adequada e controle de infecção.
Após a cirurgia, o paciente precisa usar colírios e outros medicamentos conforme a prescrição. Também deve evitar coçar ou pressionar o olho e comparecer às consultas.
O acompanhamento é necessário para identificar rejeição, infecção, aumento da pressão ocular ou falha do enxerto.
⏳ A RECUPERAÇÃO PODE LEVAR MESES
O transplante não garante cura imediata nem visão normal em todos os casos. Seu objetivo principal é substituir a córnea doente e criar condições para a recuperação visual.
A melhora pode ocorrer de forma lenta, ao longo de meses.
O resultado depende da causa da doença, do estado do olho, da técnica utilizada, da qualidade do enxerto e da adesão ao tratamento.
❤️ UMA DECISÃO QUE PODE MUDAR UMA VIDA
A doação de córneas no SUS é um processo organizado, gratuito e controlado pelo SNT. Ela depende da autorização da família, da avaliação segura do tecido, da distribuição conforme a lista e do acompanhamento médico.
O transplante pode devolver parte ou grande parte da visão, mas exige cuidados contínuos.
Por isso, existe uma atitude simples e fundamental: conversar com a família ainda em vida e comunicar a vontade de doar.
“Depois da vida, ainda podemos deixar um legado: a oportunidade de alguém voltar a enxergar.”
COLUNISTA: Maria Solange de Carvalho.
Foto: GPABA